Divulgação e partilha de atividades, eventos, leituras, projetos, escrita criativa, novas aquisições para o fundo documental, ligações a sítios na web, artigos de interesse, ...
11 de março de 2016
8 de março de 2016
Dia Internacional da Mulher
O mar dos meus olhos
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética
7 de março de 2016
1 de março de 2016
Projeto MILD: Manual de Instruções para a Literacia Digital
No dia 24 de fevereiro, um grupo de alunos do 11.º e 12.º anos realizou um pré-teste no âmbito do projeto MILD, de forma a permitir melhorá-lo e desenvolvê-lo numa fase seguinte. Os alunos navegaram pela plataforma e responderam a várias questões de três áreas distintas: Leitura digital, Tecnologias e Media, Cidadania.
Este projeto, apoiado pela RBE e pela Fundação Calouste Gulbenkian, visa criar uma plataforma com conteúdos, estratégias e atividades que ajudem a uma utilização mais qualificada dos atuais ambientes digitais pelos alunos do ensino secundário.
29 de fevereiro de 2016
Reutilizar Manuais Escolares
No âmbito da atividade "Reutilizar Manuais Escolares", a biblioteca escolar recolhe livros escolares usados.
Os manuais adotados na escola ficam na biblioteca para empréstimo aos alunos.
Os manuais antigos e não adotados são entregues a associações/campanhas de solidariedade. Este ano optámos pela campanha "Papel por alimentos" do Banco Alimentar.
A primeira remessa já foi entregue como se pode ver nas fotografias.
Participa na campanha de recolha de manuais escolares usados. Entrega os teus na Biblioteca Escolar.
Dia da Internet Mais Segura
No dia 9 de fevereiro, comemorou-se o Dia da Internet Mais Segura. Anteriormente, e em contexto de sala de aula, sob orientação do professor de TIC, os alunos das três turmas do 8.º ano, produziram, cartazes e/ou folhetos utilizando o Publisher,
A Biblioteca Escolar (BE), em articulação com o professor da disciplina, selecionou alguns folhetos para publicação no blogue e selecionou imagens para a produção do powerpoint - "Pensar antes de publicar".
No dia 11 e 14 de fevereiro, as turmas do 8.º ano deslocaram-se com o professor de TIC à BE para visualizarem, três pequenos filmes alusivos à temática e uma apresentação em powerpoint com dez situações de alertas. Foi-lhes pedido que, em grelha própria (aqui) comentassem as imagens referentes às nove situações. À medida que as situações iam sendo apresentadas, os alunos trocavam opiniões entre si e tiravam dúvidas com o professor.
Foram aulas diferentes e mais dinâmicas, todos os alunos se envolveram nas discussões e na resolução das atividades propostas.
Alguns exemplos de comentários redigidos pelos alunos em grupos de 2 ou 3:
Situação 1:
"Segundo a imagem, antes de publicarmos algo, devemos pensar muito bem no que vamos escrever ou publicar..."
" Temos de pensar antes de publicar, pois temos de ter em mente que as pessoas irão ver a nossa publicação."
Situação 2:
"Não devemos confiar em pessoas que não conhecemos pessoalmente."
"Não devemos marcar encontros, nem partilhar nada sem saber quem é verdadeiramente a outra pessoa."
Situação 3:
"Não devemos acreditar em tudo o que nos é dito na internet."
"Nem tudo o que está nas redes sociais é real."
Situação 4:
"Não deves dar os teus dados pessoais , sem confirmares se é fiáve.l"
"Não podemos dar os nossos dados pessoais pois podem ser causa de phishing."
"O perigo de usar contas de bancos e preenchimento de formulários na internet."
Situação 5:
"Não devemos dar nem por informações na internet sobre terceiros."
"Existem regras na internet. Se queres ser respeitado, deves também respeitar os outros."
Situação 6:
"Ciberbullying consiste em humilhar, criticar, expor os outros fazendo-os sentir mal".
"Não se deve fazer ciberbullying porque cada um tem o direito de ser como é."
"Não devemos fazer ciberbullying e se o sofrermos, devemos falar com um adulto de confiança."
Situação 7:
"As redes sociais afastam as pessoas, pois em vez de comunicarem pessoalmente, comunicam pelas redes socias, assim perdendo o afeto."
"Não deixes que as redes sociais te afastem das pessoas."
Situação 8:
"As informações pessoais colocadas na internet podem ser utilizadas por outras pessoas para causar mal."
"Não deves colocar fotos íntimas e vídeos nas redes sociais."
"Os pais das crianças publicam fotos e informações dos seus filhos sem ter noção de quem as vê."
Situação 9:
"Não entres em sites não seguros."
"Não devemos abrir mensagens, emails que não conhecemos."
Situação 10:
"Nunca divulgues a tua localização, nem se sais dela."
"Partilhar informações pessoais pode ter consequências negativas."
"A Ana está a dizer, a possíveis assaltantes que a sua casa vai ficar sem ninguém. Má ideia."
21 de fevereiro de 2016
Lamento para a língua portuguesa
não és mais do que as outras, mas és nossa,
e crescemos em ti. nem se imagina
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, mera aspirina,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vida nova e repentina.
mas é o teu país que te destroça,
o teu próprio país quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia a dia te assassina.
mostras por ti o que lhe vais fazer:
vai-se por cá mingando e desistindo,
e desde ti nos deitas a perder
e fazes com que fuja o teu poder
enquanto o mundo vai de nós fugindo:
ruiu a casa que és do nosso ser
e este anda por isso desavindo
connosco, no sentir e no entender,
mas sem que a desavença nos importe
nós já falamos nem sequer fingindo
que só ruínas vamos repetindo.
talvez seja o processo ou o desnorte
que mostra como é realidade
a relação da língua com a morte,
o nó que faz com ela e que entrecorte
a corrente da vida na cidade.
mais valia que fossem de outra sorte
em cada um a força da vontade
e tão filosofais melancolias
nessa escusada busca da verdade
e que a ti nos prendesse melhor grade.
bem que ao longo do tempo ensurdecias,
nublando-se entre nós os teus cristais,
e entre gentes remotas descobrias
o que não eram notas tropicais
mas coisas tuas que não tinhas mais,
perdidas no enredar das nossas vias
por desvairados, lúgubres sinais,
mísera sorte, estranha condição,
em que, por nos perdermos, te perdias.
neste turvo presente tu te esvais,
por ser combate de armas desiguais.
matam-te a casa, a escola, a profissão,
a técnica, a ciência, a propaganda,
o discurso político, a paixão
de estranhas novidades, a ciranda
da violência alvar que não abranda
entre rádios, jornais, televisão.
e toda a gente o diz, mesmo essa que anda
por tempos de ignomínia mais feliz
e o repete por luxo e não comanda,
com o bafo de hienas dos covis,
mais que uma vela vã nos ventos panda
cheia do podre cheiro a que tresanda.
foste memória, música e matriz
de um áspero combate: apreender
e dominar o mundo e as mais subtis
equações em que é igual a xis
qualquer das dimensões do conhecer,
dizer de amor e morte, e a quem quis
e soube utilizar-te, do viver,
do mais simples viver quotidiano,
de ilusões e silêncios, desengano,
sombras e luz, risadas e prazer
e dor e sofrimento, e de ano a ano,
passarem aves, ceifas, estações,
o trabalho, o sossego, o tempo insano
do sobressalto a vir a todo o pano,
e bonanças também e tais razões
que no mundo costumam suceder
e deslumbram na só variedade
de seu modo, lugar e qualidade,
e coisas certas, inexactidões,
venturas, infortúnios, cativeiros,
e paisagens e luas e monções,
e os caminhos da terra a percorrer,
e arados, atrelagens e veleiros,
pedacinhos de conchas, verde jade,
doces luminescências e luzeiros,
que podias dizer e desdizer
no teu corpo de tempo e liberdade.
agora que és refugo e cicatriz
esperança nenhuma hás-de manter:
o teu próprio domínio foi proscrito,
laje de lousa gasta em que algum giz
se esborratou informe em borrões vis.
de assim acontecer, ficou-te o mito
de seres de vastos, vários e distantes
mundos que serves mal nos degradantes
modos de nós contigo. nem o grito
da vida e do poema são bastantes,
por ser devido a um outro e duro atrito
que tu partiste até as próprias jantes
nos estradões da história: estava escrito
que iam desconjuntar-te os teus falantes
na terra em que nasceste. eu acredito
que te fizeram avaria grossa.
não rodarás nas rotas como dantes,
quer murmures, escrevas, fales, cantes,
mas apesar de tudo ainda és nossa,
e crescemos em ti. nem imaginas
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, vãs aspirinas,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vidas novas repentinas.
enredada em vilezas, ódios, troça,
no teu próprio país te contaminas
e é dele essa miséria que te roça.
mas com o que te resta me iluminas.
passarem aves, ceifas, estações,
o trabalho, o sossego, o tempo insano
do sobressalto a vir a todo o pano,
e bonanças também e tais razões
que no mundo costumam suceder
e deslumbram na só variedade
de seu modo, lugar e qualidade,
e coisas certas, inexactidões,
venturas, infortúnios, cativeiros,
e paisagens e luas e monções,
e os caminhos da terra a percorrer,
e arados, atrelagens e veleiros,
pedacinhos de conchas, verde jade,
doces luminescências e luzeiros,
que podias dizer e desdizer
no teu corpo de tempo e liberdade.
agora que és refugo e cicatriz
esperança nenhuma hás-de manter:
o teu próprio domínio foi proscrito,
laje de lousa gasta em que algum giz
se esborratou informe em borrões vis.
de assim acontecer, ficou-te o mito
de seres de vastos, vários e distantes
mundos que serves mal nos degradantes
modos de nós contigo. nem o grito
da vida e do poema são bastantes,
por ser devido a um outro e duro atrito
que tu partiste até as próprias jantes
nos estradões da história: estava escrito
que iam desconjuntar-te os teus falantes
na terra em que nasceste. eu acredito
que te fizeram avaria grossa.
não rodarás nas rotas como dantes,
quer murmures, escrevas, fales, cantes,
mas apesar de tudo ainda és nossa,
e crescemos em ti. nem imaginas
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, vãs aspirinas,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vidas novas repentinas.
enredada em vilezas, ódios, troça,
no teu próprio país te contaminas
e é dele essa miséria que te roça.
mas com o que te resta me iluminas.
Vasco Graça Moura (1942-2014)
16 de fevereiro de 2016
Vencedor no Concurso Liberdade de Expressão e Redes Sociais 2015
Concurso Liberdade de Expressão e Redes Sociais 2015
SIC Esperança e Rede de Bibliotecas Escolares
1.º lugar na categoria Ensino Secundário
Título: Não alinhes
Autores: Jéssica Silva, Pedro Rodrigues, Paulo Guimarães, Cátia Cunha, Helena Rocha
Professor responsável: Pedro Ferreira, Dalila Durães
Escola Secundária de Caldas das Taipas, 2015
14 de fevereiro de 2016
Dia de S. Valentim
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
...
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
...
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).
21-10-1935
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
1ª publ. in Acção, nº41. Lisboa: 6-3-1937.
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).
21-10-1935
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
1ª publ. in Acção, nº41. Lisboa: 6-3-1937.
9 de fevereiro de 2016
Dia da Internet Segura 2016: cartazes e folhetos realizados pelos alunos
Elaboração de cartazes e folhetos pelos alunos do 8.º ano, na aula de TIC para assinalar o dia da Internet Segura (alguns exemplos).
4 de fevereiro de 2016
The Present - Filme de animação
The Present conta a história de um rapaz, agarrado aos videojogos, que recebe como presente um cachorrinho que não tem uma perna. Primeiro, os dois não se entendem, com o miúdo a rejeitar o pequeno animal pela sua deficiência física. The Present é baseado numa pequena tira cómica do brasileiro Fabio Coala e é o segundo trabalho de sucesso de Jacob Frey, em colaboração com a sua colega Anna Matacz. Juntos, criaram em 2009 uma curta intitulada Bob, que percorreu mais de 250 festivais de cinema em todo o mundo
30 de janeiro de 2016
Exposição "Filhos de Espanha: A Ação do Tenente Seixas na Guerra Civil Espanhola"
O dia 27 de janeiro, em memória das vítimas do Holocausto, tem sido marcado, nos últimos anos, na biblioteca Municipal com atividades dedicadas à comunidade escolar. Este ano celebra-se a figura do Tenente Seixas.
À semelhança dos anos anteriores, os nossos alunos do 9.º e 12.º anos, acompanhados pelas docentes de História, participaram na palestra e na visita guiada à exposição.
Publica-se o link da página online onde estão colocados os painéis da exposição e o powerpoint da apresentação da Dra. Dulce Simões:
http://www.sines.pt/ pages/892?folder_id=361
Publica-se o link da página online onde estão colocados os painéis da exposição e o powerpoint da apresentação da Dra. Dulce Simões:
http://www.sines.pt/
28 de janeiro de 2016
Centenário do aniversário de Vergílio Ferreira (1916-1996)
14 de janeiro de 2016
11 de janeiro de 2016
3 de janeiro de 2016
Novidades... Livros
A BE adquiriu novos livros...
Vê as novidades e boas leituras!!
Shelfari: Book reviews on your book blog
22 de dezembro de 2015
BOAS FESTAS
A EQUIPA da BIBLIOTECA ESCOLAR deseja a todos um Feliz Natal e um Bom Ano Novo com Muitos e Bons Livros!
10 de dezembro de 2015
8 de dezembro de 2015
Levou-me um livro em viagem!
Para tornar a visita à feira do livro mais motivante e atrativa, a equipa da BE construiu um jogo sobre livros e autores de forma a promover a leitura em voz alta e a partilha de livros.
Assim, as turmas do 7.º ano acompanhadas do respetivo professor de português animaram a BE ... leram... apresentaram livros e divertiram-se!
Feira do Livro 2015
A biblioteca escolar realizou de 19 a 27 de novembro mais uma edição da feira do Livro.
Esta atividade integrada nas comemorações do dia da escola, apresentou uma amostra significativa de livros, contemplando as diversas faixas etárias.
Destaca-se a participação dos alunos, dos docentes e assistentes da escola. Apesar do cartaz exterior que indicava a iniciativa, registou-se, de novo, a fraca participação dos pais e encarregados de educação.
4 de dezembro de 2015
Olhares sobre Al Berto
Após a sessão de leitura e representação gráfica, todas as ilustrações realizadas pelos alunos (uma para cada texto lido) foram expostas na escola.
3 de dezembro de 2015
Olhares sobre Al Berto
Este ano foi diferente, mas foi lindo!!!
A Cristina Fernandes leu.... os alunos desenharam... e eu... registei e apreciei o momento.
A primeira leitura...
2 de dezembro de 2015
Meu caro João Soares
Ao contrário das
correntes sociais (li isto algures), não recebo o seu nome para ministro da
Cultura com maus olhos. Sei o trabalho que fez na Câmara Municipal e sei que
foi um ótimo vereador da Cultura. Conhecendo o seu trabalho e inclinações,
venho por este meio trazer um empenho. Bem sei que ainda mal se sentou na
cadeira e será cedo para empenhos. Antes que seja inundado com pedidos e
convites, com projetos e ideias, com... enfim... empenhos, apresento o meu. É
para alguns amigos e para outros que nunca conheci. É para essa coisa vaga e
desaparecida que dá pelo nome de Literatura. E que foi abandonada, nos últimos
anos, a outra coisa menos vaga que se chama mercado. Passo ao assunto. Toda a gente em Portugal diz defender o
património, e quando se diz isto imaginam-se capelas e igrejas a cair, muros
derrubados, fortalezas perdidas. Nunca, ninguém, se lembra do património
literário. E como os escritores raramente se põem na fila dos empenhos, e são
os mais silenciosos dos “agentes culturais”, sobretudo os escritores mortos,
venho por este meio recordar que temos um património literário. E uma porção de
grandes escritores mortos ou enterrados vivos no esquecimento. Esqueça os
“jovens”, os jovens defendem-se bem, têm prémios que ganham antes de saberem
distinguir um adjetivo de um substantivo, têm a atenção das editoras que
procuram o sabor do mês. Têm o Facebook. Pense nos velhos.
Comecemos por esse velho intelectual chamado
Jorge de Sena. Um conselho: dê atenção ao espólio, o que se passa, o que há
para salvaguardar. Há gente competente que sabe disto. Passo a Mário Cesariny
de Vasconcelos. Convinha dar-lhe ao menos uma lápide funerária em homenagem em
vez da tumba comum ou sonhos de mausoléu. Convinha, tanto neste caso como no
outro, que existisse orçamento para uma coisa chamada Imprensa Nacional a
funcionar como editora de referência dos clássicos portugueses. Uma editora que
se ocupe de publicar ou republicar a obra completa de nomes como Vitorino
Nemésio, David Mourão-Ferreira, Cesariny, Natália Correia, Alexandre O’Neill,
Augusto Abelaira, Al Berto, etc., etc. E o Sena. E muitos, muitos mais. Deixei
de fora o José Cardoso Pires, a Sophia, o Herberto, o Virgílio Ferreira e a
Agustina Bessa Luís que foram (re)tomados pelas editoras no mercado. Honra lhes
seja feita. O pior é que sem uma ação concertada de divulgação e promoção nada
se sabe e as obras reeditadas e os escritores correm o risco de ser ignorados
pelos leitores. Dou sugestões. Um site deste
património (custa dinheiro) que o unifique com sentido crítico e de escolha e o
torne disponível com contribuições de outros escritores que escrevam sobre os
mestres. Usar as correntes sociais. Usar a rádio e a televisão públicas.
Peço-lhe que dê atenção a um projeto chamado Voz, feito por um dos atuais
administradores da RTP quando ainda não o era, e que ajudei a patrocinar quando
estive na Casa Fernando Pessoa. O Voz tornou a poesia um fragmento de beleza e
de humor, totalmente acessível ao grande público e partilhável. Ainda não havia
internet como fenómeno totalitário de comunicação e a televisão pública deu
àquilo uma atenção mínima, para variar. Reponha a poesia e a prosa no metro, no
autocarro, no elétrico, ponha-a a esvoaçar por aí, não custa muito dinheiro, e
os seus colegas dos Transportes poderão ser sensíveis a um verso camoniano, à
Lisboa de Cesário, ao Douro de Agustina ou aos pobres de Raul Brandão,
incluídos na dieta suburbana. Entre Lisboa e o Senhor Roubado pode ser que
alguém preste atenção a uma quadra de soneto. Pode ser que a palavra escrita volte
a ocupar o lugar donde foi escorraçada pela “mensagem” rápida. Pode ser que a
palavra escrita pelos mestres volte a instalar-se nas nossas cabeças e nos
nossos corações e nos obrigue a levantar os olhos do telemóvel. Que nos desperte
do sono da estupidez. Pode ser.
Fale com os colegas da Educação. Eu sei que a
ciência se tornou o chuchu e concordo. Mas a literatura é parte substantiva e
estruturante (adoro esta palavra) da nossa identidade, da nossa memória, da
nossa História. Não deixem o Camilo ser atirado para o lixo. Os programas
obrigatórios não fazem nada pela literatura, ajudam a destruí-la. Dizem os
miúdos: “Lá tenho que ler a chatice de «Os Maias»”. Passem a Literatura para os
cursos superiores, transversal a todos os cursos, uma opção dos alunos, e
tornem-na uma disciplina atraente, elegante, com um programa atraente. Um plus
curricular. Convidem os escritores a falar regularmente nas universidades,
inaugurem um programa de leituras e, por favor, subtraiam a Literatura, o poder
extraordinário da frase, ao cientismo académico. Não deixem um parágrafo do
Mário de Carvalho ser atropelado pelo estruturalismo. Como dizia o João Ubaldo
Ribeiro, os escritores trabalham por “preço simbólico”. Gente mais barata não
há. Ideias não faltarão. Pense nisso.
Atentamente,
Clara Ferreira Alves , E (Revista do Expresso), edição 2248 de 28 de novembro de 2015
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