25 de dezembro de 2016

Feliz Natal!

Dia de Natal


Hoje é dia de ser bom. 
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças, 
de falar e de ouvir com mavioso tom, 
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças. 
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem, 
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria, 
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem, 
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria. 

Comove tanta fraternidade universal. 
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos, 
como se de anjos fosse, 
numa toada doce, 
de violas e banjos, 
entoa gravemente um hino ao Criador. 
E mal se extinguem os clamores plangentes, 
a voz do locutor 
anuncia o melhor dos detergentes. 

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu 
e as vozes crescem num fervor patético. 
(Vossa excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?)
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.) 
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas. 
Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziante, 
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas 
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante. 

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates, 
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica, 
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates, 
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica. 

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito, 
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores. 
E como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito, 
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores. 

A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento. 
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar. 
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento 
e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar. 

Mas a maior felicidade é a da gente pequena. 
Naquela véspera santa 
a sua comoção é tanta, tanta, tanta, 
que nem dorme serena. 
Cada menino abre um olhinho 
na noite incerta 
para ver se a aurora já está desperta. 
De manhãzinha 
salta da cama, 
corre à cozinha em pijama. 

Ah!!!!!!! 

Na branda macieza 
da matutina luz 
aguarda-o a surpresa 
do Menino Jesus. 

Jesus, 
o doce Jesus, 
o mesmo que nasceu na manjedoura, 
veio pôr no sapatinho 
do Pedrinho 
uma metralhadora. 

Que alegria 
reinou naquela casa em todo o santo dia! 
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas, 
fuzilava tudo com devastadoras rajadas 
e obrigava as criadas 
a caírem no chão como se fossem mortas: 
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá. 
Já está! 
E fazia-as erguer para de novo matá-las. 
E até mesmo a mamã e o sisudo papá 
fingiam 
que caíam 
crivados de balas. 

Dia de Confraternização Universal, 
dia de Amor, de Paz, de Felicidade, 
de Sonhos e Venturas. 
É dia de Natal. 
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade. 
Glória a Deus nas Alturas. 

António Gedeão, in 'Antologia Poética' 

7 de dezembro de 2016



Este ano, a atividade "Olhares sobre Al Berto" teve como convidado o realizador Vicente Alves do Ó. O seu olhar incidiu sobretudo na realização do filme que o mesmo está a produzir neste momento, sobre o patrono da escola.

Foi uma abordagem diferente e muito interessante. Todos aprendemos muito sobre o mundo das filmagens, desde a escrita do guião até à produção final e sobretudo sobre o Al Berto.

5 de dezembro de 2016

Feira do livro

À semelhança de anos anteriores, a biblioteca escolar promoveu mais uma edição da Feira do Livro. Este ano também contámos com o apoio da Livraria A Das Artes.
A equipa agradece a presença dos alunos, professores, funcionários e encarregados de educação. 

14 de novembro de 2016

Feira do livro - 21 a 29 novembro 2016


Este ano realiza-se uma nova edição da Feira do Livro integrada, na Semana da Escola. Estão desde já convidados. Apareçam na Biblioteca Escolar! 





8 de novembro de 2016

Resultados da atividade "Conhecer a BE"


Nos dias 21 e 31, as cinco turmas do 7.º ano participaram na atividade proposta pela biblioteca escolar.
Para conhecerem um pouco melhor a biblioteca, os alunos tinham como tarefa responder a um questionário de 20 perguntas. Os alunos constituíram grupos e através de um tablet acederam ao blogue da biblioteca onde estava publicado o link do questionário " Conhecer A BE da ESPAB".


Os vencedores, por turma, foram os seguintes:


7.º A - grupo constituído por Érica Silva, Ana Margarida Correia - 15 pontos


7.º B - grupo constituído por Andrea Preda, Brisseise Carvalho e Janina Sztan- 17 pontos


7.º C - grupo constituído por Carolina Saramago e Ana Marta Faustino- 17 pontos


7.º D - grupo constituído por Daniela Ramos, Adriana Matias, e Maria Pina - 18 pontos


7.º E - grupo constituído por Daniela Leu e Cláudia Custódio - 18 pontos

O questionário apresentava duas questões que permitiram avaliar o grau de dificuldade da atividade e o grau de satisfação dos alunos. Assim, num universo de 45 respostas o resultado foi o seguinte:




20 de outubro de 2016

Dia da Biblioteca Escolar


Integrada na comemorações do Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE), a atividade -Bibliotablet - destina-se aos alunos do 7.º ano.
Durante a aula de português (45 minutos), cada turma, dividida em grupos, desloca-se à biblioteca acompanhada pela respetiva professora.
Cada grupo de alunos receberá um tablet a fim de responder ao quiz "Conhecer a BE da ESPAB".


Para aceder ao questionário clicar no link seguinte:









Dia da Biblioteca Escolar

Integrada na comemorações do Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE), a atividade -Bibliotablet - destina-se aos alunos do 7.º ano.
Durante a aula de português (45 minutos), cada turma, dividida em grupos, desloca-se à biblioteca acompanhada pela respetiva professora.
Cada grupo de alunos receberá um tablet a fim de responder ao quiz "Conhecer a BE da ESPAB".


Para aceder ao questionário clicar no link seguinte:


"Conhecer a BE da ESPAB"



12 de outubro de 2016

Ler mais, Comer melhor


Atividade integrada no Mês Internacional das Bibliotecas Escolares (MIBE), em articulação com o Gabinete de Educação para a Saúde (GES).



Conta-me histórias... daquilo que eu não li


Atividade integrada no Mês Internacional das Bibliotecas Escolares (MIBE), em articulação com o Centro de Artes de Sines (CAS) e a disciplina de Português.



Bibliotablet

Atividade integrada no Mês Internacional das Bibliotecas Escolares (MIBE).




3 de outubro de 2016

No dia 14 de setembro, pelas 15 horas, realizou-se mais uma receção aos alunos do 7.º ano e respetivos encarregados de educação. 

A Biblioteca escolar também os recebeu e desejou-lhes um bom ano letivo com muitas leituras.


29 de setembro de 2016

O rapaz que habitava os livros


O rapaz que habitava os livros


Barafustaram comigo, nem escutaram o que eu queria que entendessem. Diziam que os livros queimavam os olhos, eram diurnos, não serviam para as noites. As regras do nosso colégio interno, para meninos casmurros como eu, mandavam assim.
Queriam os livros no corredor. As luzes apagadas às nove.
Eu ainda deitei mão a alguns volumes, toquei-lhes brevemente igual a quem cai num precipício e procura agarrar-se, mas não me deixaram nada. Apenas o candeeiro já apagado, como se a luz tivesse morrido de tristeza.
Adormeci muito mais tarde, de todo o modo. O coração rasgado em papelinhos pequenos. E uma gula esquisita embrulhada no estômago parecia dizer que eu não havia jantado.
Fui ver a minha nova estante logo pela manhã.
Era um bocado de espaço arranjado entre tralhas meio esquecidas. Fiquei ofendido. Os livros não esquecem nada. Eles são para sempre a mesma memória admirável. Esquecer livros é uma agressão à sua própria natureza. Embora, na verdade, eles nem se devam importar, porque podem esperar eternamente.
Alguém colocara uma pequena placa dizendo: não alimente os animais. Fiquei sem saber se queriam dizer que os livros eram bichos comendo as nossas ideias ou se seria eu um devorador de páginas, alimentado de palavras como as histórias. As histórias podem comer muitas palavras.
Pensei: os meus queridos livros. Era o que pensava e sentia: os meus queridos livros. Olhava-os como se estivessem vivos e pudessem sofrer. Como se pudessem também entristecer.
Gostei de colocar a hipótese de os livros serem como bichos. Isso faz deles o que sempre suspeitei: os livros são objectos cardíacos. Pulsam, mudam, têm intenções, prestam atenção. Lidos profundamente, eles estão incrivelmente vivos. Escolhem leitores e entregam mais a uns do que a outros. Têm uma preferência. São inteligentes e reconhecem a inteligência.
Os livros estão esbugalhados a olhar para nós. Quando os seguramos, páginas abertas, eles também estão esbugalhados a olhar para nós.
Os meus colegas ficaram todos a rir-se para mim. Eu era conhecido como o rapaz que perdia a hora de dormir. Tinha a cabeça na lua, diziam. Não me importei nada. Rirem-se de nós pode ser só um erro no ponto de vista. E eles, todos eles, estavam errados.
A primeira vez que vi um livro, que me lembre, era um que estava aberto, pousado sobre a mesa, com as folhas em leque como se fossem uma colorida flor contente.
Podia ser uma caixa esquisita para arquivar pétalas secas, podia ser para guardar documentos ou cartas de amor. De perto, era afinal um livro muito branco, cheio de palavras impressas. Julguei que podia ser um bordado miudinho. Um enfeite para que as páginas ficassem bonitas. Pensei que fosse uma prenda de enxoval.
Depois, compreendi, era o modo silencioso das conversas. Todos os livros são conversas que os escritores nos deixam. Podemos conversar com Camões, Shakespeare, machado de Assis, mesmo que tenham morrido há tantos anos.
A morte não importa muito para os livros.
Mais tarde, aprendi que os livros acontecem dentro de nós. Claro que eles podem ser bonitos de se ver, mas são sobretudo incríveis de pensar. Eu disse que ler é como caminhar dentro de mim mesmo. E é verdade. Quando lemos estamos a percorrer o nosso próprio interior.
Uma menina do colégio perguntava-me sempre se eu queria brincar às coisas bonitas. Brincar de beleza, dizia assim. Era igual a ficarmos cheio de delicadezas a fazermos de conta que adorávamos de tudo: os puxadores velhos das portas, os livros de álgebra, as meias rendadas da professora, a sopa de beterraba à hora de jantar no refeitório ou o cão zangado do guarda nocturno. Servia de maneira divertida para fazermos de conta que o mundo era maravilhoso e, subitamente, o mundo inteirinho parecia mesmo maravilhoso. Isso era tão bom de sentir.
Um dia, eu disse: vamos brincar à beleza das coisas que se pensam, como as que se lêem. Porque as coisas que se lêem precisam de ser pensadas. E ela perguntou: as que existem ou as que não existem? E eu disse: todas. As coisas todas que pudermos imaginar.
Então, ela propôs: pássaros com trombas de elefante a voar sobre cabeças de mulheres com cabelos de raízes de árvores. Rimos muito e eu exclamei: que lindo. Repeti, lentamente: pássaros com trombas de elefante a voar sobre cabeças de mulheres com cabelos de raízes de árvores. Depois acrescentei: chávenas de chá com bocas falantes que ferram as mãos de quem as tenta pegar. Rimos muito e ela exclamou: que lindo. Repetiu: chávenas que ferram.
Ela disse: carros com pneus feitos de batatas gigantes que têm pêlos como as pernas dos homens e a transportar famílias de galinhas felizes. Rimos e eu exclamei: que lindo, adoro galinhas felizes. Repeti: carros com famílias de galinhas felizes.
E se fosse um homem com tartarugas ao invés de olhos? Ia ver muito devagarinho. E outro que tivesse um canguru ao invés de boca? Ia falar aos saltos.
Uma árvore que tivesse braços de pessoa ao invés de troncos e segurasse ninhos de cegonhas nas mãos. Que lindo! Depois, eu disse: os meus pais a darem um beijo. E os meus avós. E ela respondeu: e os meus também. Os meus também. Rimos, e exclamamos subitamente em conjunto: que lindo.
Fui dizer-lhe que me haviam levado os livros do quarto. Estava igual a sozinho. Absolutamente sozinho a noite inteira. E ela respondeu: isso é feio. Sabia bem que importância tinham para mim as histórias. Ela perguntou: e agora? Eu respondi: passo os dias à espera dos intervalos para ler um bocadinho. Passo as noites a sonhar à pressa para poder acordar e voltar a ler. Ela respondeu: sonhar à pressa é uma pena.
Quando eu sonhava que lia, acordava. Parecia um castigo. Era comum, subitamente, que eu me esquecesse de tudo durante os intervalos. Corria para os bancos no lado da frente do colégio, à vista dos janelões principais, e aí deitava os olhos às letras e a alma inteira à imaginação. Quando era hora de entrar, tantas vezes algum colega vinha cutucar-me. Diziam: anda, seu distraído. Anda embora.
Um dia, ninguém me cutucou. Fiquei apenas caminhando dentro de mim mesmo, o que era diferente da solidão.
A professora mandou dois rapazes aos janelões da frente a chamar por mim. Assim chamaram. Mas eu, juro muito, não os ouvi.
Voltaram para dizer à professora: parece que se mudou para dentro do livro porque não ouve a nossa voz. Usámos os binóculos da sala de ciências e vimos bem, senhora professora. Ele sorri. Está feliz.

Isso levantara o problema de saber como trocar a felicidade pelo regresso à aula.


in Contos de cães e maus lobos, Valter Hugo Mãe, p.87



12 de maio de 2016

Semana dos Média /media Week - Inquérito de satisfação

Terminada a atividade  Semana dos Média/ Media Week, realizada de 2 a 9 de maio, falta concretizar a avaliação.

Mais uma vez, apelamos à vossa colaboração! Disponibilizem 5 minutos e acedam ao questionário através da seguinte ligação: 

Semana dos Média / Media Week


No âmbito da Semana dos Media/Media Week, assinalada entre os dias 3 e 9 de maio, realizaram-se, na Biblioteca Escolar, três sessões de apresentação dos trabalhos elaborados pelos alunos do 10.º ano aos alunos do 8.º ano.

Os trabalhos incidiram sobre o uso dos ‘Social Media’, especificamente no que respeita à sua utilização como veículo de transmissão e tomada de conhecimento sobre os mais variados assuntos mediáticos e sociais.

Na Biblioteca Escolar, esteve também disponível um PowerPoint que permitiu a visualização de todos os trabalhos realizados pelos alunos. 

26 de abril de 2016

42 anos de Abril

Os 42 anos de abril foram assinalados na escola com duas atividades:

-  Exposição na biblioteca escolar



- Momento cultural com leitura de poema de Manuel Alegre e canto e acompanhamento musical de 3 canções, uma de Bob Dylan e duas de José Afonso.


Apresentação powerpoint:

Filme (clicar na imagem)




No final da sessão foram distribuídos alguns cravos aos alunos participantes, elaborados pela equipa da BE.


13 de abril de 2016

Semana da Leitura - Inquérito de Satisfação


Terminadas as atividades no âmbito da "Semana da leitura" realizadas de 14 a 18 de março e após a publicação da retrospetiva fotográfica, do vídeo referente ao LCD - O Cavaleiro da Dinamarca e da leitura expressiva do conto de Ondjaki, falta concretizar a avaliação.

Mais uma vez, apelamos à vossa colaboração! Disponibilizem 5 minutos do vosso precioso tempo! 

Acedam ao questionário através da seguinte ligação: 


https://docs.google.com/forms/d/1Z7BS0ylkj20G5CUKcSx48fRKgHowkHN9ZP8MOcti8lw/viewform


A equipa da BE, agradece! 

Muitas e Boas Leituras!!!!

4 de abril de 2016

Dia do francês - inquérito de satisfação

Disponibiliza-se o link que dá acesso ao inquérito de satifação da atividade "Jour du Français" realizada no dia 10 de março.

https://docs.google.com/forms/d/1VBHWNtW4clUZPFzZz94Cg2wzY_HKPzgAKIR61znrvGQ/viewform


As professoras de francês agradecem a vossa participação.


1 de abril de 2016

Ler, Criar, Dramatizar - LCD


APRESENTAÇÃO DA ADAPTAÇÃO DA OBRA
  "SERMÃO DE SANTO ANTÓNIO AOS PEIXES"


4 de abril | 19h00 | Centro de Artes de Sines (auditório)

Os alunos da Escola Secundária Poeta Al Berto apresentam uma adaptação da obra "Sermão de Santo António aos Peixes", do Padre António Vieira, no auditório do Centro de Artes de Sines, no dia 4 de abril, pelas 19h00. A entrada é livre.


O projeto é fruto da residência artística realizada pelos alunos no Centro de Artes de Sines, entre 28 de março a 1 de abril de 2016, sob a orientação da equipa técnica do Serviço Educativo e Cultural do Centro de Artes de Sines.

Participantes:

Carolina Castro- 10ºA
Guilherme Chalupa- 11ºA
Inês Póvoas - 11º C
Marta Ramalho - 9º B
Martim Simões - 11ºA
Mariana Plácido - 11º A
Tomás Afonso - 11ºA



21 de março de 2016

Dia Mundial da Poesia



                               in "30 aniversário do CCEN -Três Décadas: Diálogos Intemporais."



V

Ele murmura:
deixemos o sonho para quando os corpos se perderem
no excesso das imagens ou na sua irritação
eles simulam o amor

um olhar rápido pelo lugar abandonado
pressente-se ainda a fuga dos corpos
na aragem que limpa a casa
a memória poderá reconstruir tudo a partir das imagens
e do intenso cheiro a mato
por agora nada mais é visível
...azul e mais azul e nenhuma mudança na paisagem
nenhum vestígio

as luzes apagaram-se o material foi guardado
o lugar adormece por baixo do bolor imutável
e no esquecimento
os actores caminham para o fim do filme

um gravador esquecido
regista os passos que se afastam devagar
não sabemos ao certo para onde


in Trabalhos do Olhar, Filmagens 1980/81, Al Berto