4 de junho de 2023

Balanço de uma professora bibliotecária sobre a 16.ª edição do CNL


Quem me conhece pessoal e profissionalmente e quem me acompanha nas redes sociais sabe que sou uma entusiasta da promoção da leitura. Leio com prazer, partilho e publico leituras e opiniões, sugiro autores e livros, promovo tertúlias, atividades de leitura, convido autores, participo em clubes de leitura, envolvo os alunos a participar em concursos de leitura. Por tudo isto, não posso calar o que senti e o que presenciei na fase final desta edição do Concurso Nacional de leitura (CNL)!
Comecemos pelo início, já que se trata de um balanço.

O CNL promovido pelo Plano Nacional de Leitura (PNL) desenvolve-se em várias fases: escolar, municipal, intermunicipal e nacional. Os professores bibliotecários em articulação com os professores titulares e/ou professores de português empenham-se, ao longo do ano, em motivar, apoiar e envolver os alunos na leitura, para não falar de toda a burocracia inerente ao evento. Todos nos envolvemos com agrado e sentimos orgulho cada vez que um dos nossos alunos lê publicamente e, ainda mais, quando passa à fase seguinte. Vivemos e partilhamos emoções fortes! Nunca nos consideramos derrotados. Participar é sempre uma conquista!

Em relação às três primeiras fases, não me vou alongar, até porque já me pronunciei sobre uma delas, quero apenas referir e destacar que nestas fases houve festa da Leitura!
Não concordando eu, e é uma opinião muito pessoal, que a prova escrita seja critério de eliminação, o que aconteceu na fase intermunicipal, consigo compreender e aceitar este critério, uma vez que os alunos apurados para esta fase realizaram a prova em circunstâncias de equidade, ou seja, estiveram todos numa sala a resolver a prova, entregues a si próprios, na presença de vigilantes imparciais.

Quanto à prova nacional, a que me leva a fazer este longo balanço, é constituída por três provas: a prova escrita, a prova de vídeo e a prova de palco e destina-se aos alunos apurados na fase intermunicipal.

A prova escrita, tal como na fase intermunicipal, foi de pré-seleção, isto é, eliminatória. No dia 15 de maio, às 14h00 as alunas envolvidas realizaram a dita prova, em linha, na presença da professora bibliotecária (eu, no caso). E é aqui que começa a minha contestação. Não considero que a prova tenha sido realizada em linha, mas sim no digital. As alunas acederam à prova no GoogleForms, preencheram os dados, redigiram o texto solicitado e submeteram. As alunas , sob a minha vigilância, redigiram de forma autónoma e responsável o texto solicitado, mas será que foi assim em todas as escolas? Como se pode garantir a equidade? Como se pode garantir que os textos foram mesmo redigidos pelos alunos? A dúvida subsistirá sempre na minha mente, sobretudo depois de ter assistido à final, em Torres Vedras.
A prova de vídeo foi uma desilusão. A votação em linha, no Youtube, dos vídeos selecionados tornou a iniciativa num logro. Mas, provavelmente, que o problema está em mim e na minha escola que não soube votar na sua candidata. Contudo, nada me impede de questionar a seriedade da votação.

Finalmente, chegou o dia da tão desejada prova de palco. Todos os alunos finalistas (do primeiro ciclo ao ensino secundário), professores bibliotecários e pais se dirigiram ao local dos sonhos! Todos os alunos presentes ambicionavam subir ao palco e ler, celebrar a leitura!
Ciclo a ciclo, José Carlos Malato, o apresentador, chama os alunos apurados. Aqueles que foram apurados a partir da tal prova escrita realizada em condições muito sui generis.
Foi uma desilusão. Certamente que há melhores alunos leitores nas nossas escolas!
Na minha opinião, o que deveria ser uma Festa da LEITURA, tornou-se, nesta edição, numa Feira de enganos! Tanta desilusão! Tanto desconforto! Tanta desorganização! (não quero debruçar-me sobre a (des)organização do evento local, porque tornaria este texto ainda mais longo).
Até o senhor Presidente da República preferiu marcar presença na Feira da Agricultura em detrimento da Festa da Leitura. Sabe-se lá porquê!
Não podemos esquecer que estamos a formar crianças e jovens, a transmitir valores, a promover e a desenvolver hábitos de leitura! Assaltaram-me muitas dúvidas que gostaria de não ter nas próximas edições.
Para terminar, e porque pretendo realçar a importância da Leitura, quero destacar o envolvimento e o empenho dos nossos alunos ao longo das diversas fases, mas, em especial, das alunas presentes na fase final, a Margarida e a Sara. Foi um percurso longo, que lhes facultou aprendizagens de vária ordem, boas e más. Não subiram ao palco, mas garanto que desenvolveram um trabalho honesto e sério. Foram elas que escreveram o texto da prova escrita. Foram elas que escolheram o livro, prepararam a apresentação e realizaram o vídeo. Foram elas, ainda, que selecionaram a obra e redigiram a argumentação para a prova de palco. Uma escolheu um poema de Alberto Caeiro/Fernando Pessoa e a outra, um poema de Al Berto. As professoras apenas orientaram e deram sugestões de melhoria. Garanto-vos que não contribuíram para a feira de enganos! E garanto-vos, também, que são ambas excelentes leitoras!

Assim, Margarida e Sara dou-vos os Parabéns! Continuem a alimentar os vossos sonhos! Permaneçam fiéis às vossas convicções. Leiam, sejam curiosas e críticas! Para mim, sois as grandes vencedoras deste concurso.

Graciosa Reis, professora bibliotecária





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