No dia 25 de novembro, integrando a Semana da Escola, realizou-se mais uma tertúlia, Para ler e relembrar o patrono da escola, a obra lida foi Salsugem, de Al Berto. Devido à situação atípica que vivemos e também devido à distribuição dos horários por turnos, realizaram-se duas sessões, uma no turno da manhã e outra de tarde. Estiveram presentes 1 aluno, uma funcionária, e seis docentes. Alguns alunos inscritos não puderam comparecer pois encontrava-se em isolamento profilático.
Desta vez não se realizou o já habitual lanche literário pelas razões que todos bem conhecemos e vivemos.
outros corpos de salsugem atravessam o silêncio
desta morada erguida na precária saliva do crepúsculo”
Deixo-vos um dos meus poemas preferidos de Salsugem:
se um dia a juventude voltasse
na pele das serpentes atravessaria toda a memória
com a língua em teus cabelos dormiria no sossego
da noite transformada em pássaro de lume cortante
como a navalha de vidro que nos sinaliza a vida
sulcaria com as unhas o medo de te perder... eu
veleiro sem madrugadas nem promessas nem riqueza
apenas um vazio sem dimensão nas algibeiras
porque só aquele que nada possui e tudo partilhou
pode devassar a noite doutros corpos inocentes
sem se ferir no esplendor breve do amor
depois... mudaria de nome de casa de cidade de rio
de noite visitaria amigos que pouco dormem e têm gatos
mas aconteça o que tem de acontecer
não estou triste não tenho projectos nem ambições
guardo a fera que segrega a insónia e solta os ventos
espalho a saliva das visões pela demorada noite
onde deambula a melancolia lunar do corpo
mas se a juventude viesse novamente do fundo de mim
com suas raízes de escamas em forma de coração
e me chegasse à boca a sombra do rosto esquecido
pegaria sem hesitações no leme do frágil barco... eu
humilde e cansado piloto
que só de te sonhar me morro de aflição
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